Incineração: tecnologia de ponta transforma o lixo em energia

Devido à emissão de poluentes liberados com a combustão, a incineração de resíduos urbanos é bastante polêmica e foi combatida por décadas pelos ambientalistas. Além disso, alguns acreditam que esse tipo de procedimento não seja compatível com a política de desperdício zero e possa desestimular a reciclagem, já que, para transformar lixo em energia, seria preciso que houvesse um excedente desse material para abastecer as usinas.

 

Mas o desenvolvimento tecnológico favorecido o waste-to-energy. Na Dinamarca, por exemplo, foi adotado um novo tipo de incinerador que, graças a dezenas de filtros e à destilação de gases nocivos, emite menos poluentes do que todas as lareiras e as churrasqueiras da região juntas. O país, de 5.5 milhões de habitantes, conta com 29 usinas que servem 98 municípios e já tem planos para construir outras 10 delas. O curioso é que a Dinamarca apresenta uma das taxas mais altas de reciclagem do mundo. Só o material que não pode ser reaproveitado é mandado para os incineradores. O mesmo ocorre com a Alemanha, que também investe nesse setor.

 

Em agosto deste ano, o Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) começou a elaborar a proposta de implantação de uma usina a lixo na estação do Caju, no Rio de Janeiro. Pesquisadores calculam que a unidade poderia gerar 500 megawatts de potência instalada e, se fossem aproveitadas todas as 9 mil toneladas de lixo produzidas por dia pela cidade, seria possível abastecer 1,5 milhão de residências, com consumo médio de 200 quilowatt/hora por mês.

 

Essa, no entanto, não será a primeira experiência de tratamento térmico do lixo no país. O município de Unaí, no noroeste de Minas Gerais, construiu uma usina que, por meio do aquecimento, transforma os detritos em produtos para a utilização industrial. Todo tipo de lixo - exceto o hospitalar - é submetido à temperatura de 800oC, sem contato direto com as chamas. Os resíduos de origem vegetal e animal são transformados em carvão. Os de origem mineral não sofrem deterioração e são encaminhados à reciclagem. Não se descarta nem o chorume. Ele é vaporizado, tratado e devolvido à forma líquida.

 

Além do carvão, são produzidos com esse processo o óleo vegetal, alcatrão líquido, lignina e água ácida, posteriormente comercializados. Mas os planos em Unaí vão além da venda desses materiais. Para aproveitar o carvão produzido na usina, está em construção uma termoelétrica para abastecer a região de energia.

 

Embora o caso mineiro ainda desperte certa desconfiança, especialistas concordam que, hoje em dia, a incineração de resíduos é segura e proveitosa, desde que associada à coleta seletiva.

POR LUANA CAIRES, OECOCIDADES