Lixo zero pode ser uma realidade?

 Exemplo disso vem da iniciativa da empresa Novo Ciclo Ambiental (www.novocicloambiental.com.br), que existe a pouco mais de um ano em Florianópolis. Em parceria com duas empresas - uma de comunicação e outra de energia elétrica - a Novo Ciclo está apostando na educação ambiental e atuando concomitantemente em quatro frentes: engenharia, design, marketing e educação. O mentor da ideia é o engenheiro Rodrigo Ribeiro Sabatini. Viajando pelo mundo, Sabatini encontrou experiências muito interessantes e acredita que no Brasil é possível adotar medidas que aos poucos irão se tornar uma rotina. Como primeira orientação, está a eliminação das lixeiras. "Lixeira chama lixo e ninguém gosta de lixo. Quando algo vai para a lixeira, estamos inconscientemente dizendo: isso não é mais minha responsabilidade. Então, sem onde depositar seus resíduos, o cidadão precisa pensar o que fazer com ele" explica o engenheiro. E é aí que estão as primeiras ações da Novo Ciclo.Para acabar com o descarte e dar um destino aos papéis velhos como revistas, jornais, livros, apostilas, a empresa apostou na Estante do Saber para uso em condomínios. Trata-se de um móvel simples e bonito, "decorado" com orientações ambientais, onde os moradores depositam o que antes iria para o lixo. Ali, segundo Sabatini, há uma experiência de troca muito interessante. "As pessoas levam o material e trocam por outros disponíveis na estante. O que sobra - que não interessou às pessoas que circulam nesse ambiente - nós recolhemos e doamos para hospitais e escolas. Afinal, ninguém se incomoda de ir ao dentista e esperar pelo atendimento lendo uma revista velha!" A venda para a reciclagem é a última opção para os papéis da Estante do Saber, que no mês de março, já estará implantada em 250 condomínios da capital catarinense.Outra iniciativa da empresa é o coletor de pilhas. Para isso foi desenvolvido um recipiente com design moderno, que, assim como a Estante, divulga os apoiadores e atua como uma ferramenta de marketing direto. "Pilhas, lâmpadas e baterias são os resíduos que precisamos pagar para dar um fim. E são coisas que geralmente as pessoas não colocam no lixo comum, precisam apenas de um lugar para depositá-las. Oferecemos esta oportunidade e, quando o "coletor" está cheio, encaminhamos à única empresa no país que trabalha com este tipo de material descartado". Além destas ações já em andamento, entre as próximas iniciativas da Novo Ciclo está a instalação de Bibliotecas Livres, mantidas com o material arrecadado nas Estantes do Saber. Para a Novo Ciclo é preciso ir além do que pensar os resíduos como algo descartável, sem valor. "Na nossa casa, no nosso trabalho, tudo é selecionado, separado, organizado em algum lugar. Por que com o material que foi usado não continuamos com este procedimento? Já sabemos como se faz, basta praticar", sugere Sabatini.

 

O que é lixo?"Temos que entender que nem tudo é lixo. O resíduo lavado, como latas, recipientes plásticos e de vidro, deixam de ser lixo e assim podem ser armazenados em lugares próprios sem o risco de infestação de insetos ou transmissão de doenças", explica Rodrigo Sabatini. E por isso, defende o engenheiro, as pessoas podem manter este material em casa até que se dê uma destinação correta. Segundo ele, as pessoas têm boa vontade em ajudar, em preservar o meio ambiente, precisam dos instrumentos para isso. Um exemplo ocorre na China. Lá não existe coleta de lixo. As pessoas entregam os seus resíduos e recebem dinheiro por isso. Incentivadas, não acumulam material nocivo à saúde em suas residências e, por fazerem o transporte até os pontos de coleta, separam e limpam os resíduos. É a política dos três Rs em prática: Reduzir, reutilizar, reciclar. Diferente daqui, onde os cidadãos pagam uma taxa anual pelo serviço ligado ao lixo e o poder público tem a obrigação de coletar e dar um destino final, via de regra os aterros sanitários, na China as pessoas buscam aproveitar ao máximo os materiais para não terem que ficar transportando. Afinal, tanto aqui quanto lá, o preço pelo material a ser reciclado é ainda baixo. Outro país que está caminhando para uma nova forma de tratar os resíduos é a Suécia. O governo decidiu acabar com os aterros sanitários. Sem ter onde depositar, governos e população terão que atuar com força para evitar o desperdício e no máximo reaproveitamento de materiais. Esforço que já começou. Cerca de 5% da energia consumida no país vem da energia térmica produzida com a queima de resíduos (as já conhecidas usinas de lixo). Associado a uma série de instrumentos legais de incentivo à sustentabilidade, o volume de lixo doméstico para aterros sanitários na Suécia diminuiu de 1.380.000 toneladas em 1994 para 226.000 toneladas em 2006. Não à toa que o país agora quer se ver livre dos lixões. Para conhecer essa história conheça a Agência Sueca de Proteção do Meio Ambiente (http://www.naturvardsverket.se)